sábado, 2 de janeiro de 2016

O SENTIDO TRÁGICO DA MORTE

Estranhamente, nenhuma lágrima...
Paralisada, ficou olhando o escuro
E deitou-se, assimilando o murro,
O livro, há muito, na mesma página.

Sentiu na pele o beijo do mormaço,
Brisa mais que leve a roçar-lhe o rosto.
Deixou-se ao peso do próprio corpo,
Os olhos bobos no horizonte escasso.

E a impotência absurda de morrer,
Apesar da dor profunda, absorvida
Que lhe quebrou o sentido para o norte.

Insinua-se a irônica saída:
Se a vida só lhe indicava a morte,
A morte a despertava para a vida.

Este soneto nasceu da confissão de uma aluna que se considerava estigmatizada pela perda. Conversamos em determinada ocasião que parentes dela, muito próximos, morreram num acidente de carro.

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