sábado, 30 de janeiro de 2016

VALQUÍRIA

Na meia luz do meu quarto,
Rasgando o silêncio,
Pupilas enormes me espreitam:
Inequívoca tradução,
Parada no ar,
Do mergulho em mim mesma.

Num delicado arrepio
De pelos eriçados como faíscas elétricas
Ela me passeia pela cama
Como quem flutua sob as águas,
No seu cavalo alado.
Paraliso-a repetindo seu nome: Valquíria.

Seus grandes olhos aprovam meu percurso.

Deslizo as mãos pelo seu corpo esguio,
Busco no seu olhar uma imagem
E o meu delírio absorve sua presença
Felina,
Menina...
Benignidade,
Minha amiga Valquíria.

A magia se processa,
Os que vão morrer, meus pensamentos,
Valquíria os escolta para a glória das batalhas.

Uma luz tímida entra pelas falhas da cortina
E eu caminho até a janela.

Valquíria adormece extenuada.

Já não sou quem dantes era.

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