quinta-feira, 2 de junho de 2016

AINDA



A sua voz suave deslizava como música amena na noite sombria...
Dissonância, entretanto.
Noite de flagelo e ambições grotescas.

Tive medo por ela,
Tão frágil e tão sozinha
Dessa solidão das grandes causas
Obscurecidas pela confusão dos erros.

Ela me sorriu, ainda,
Aquele brilho nos olhos,
Levantando o gládio
Da sua causa de mulher,
Minha também,
Ainda que eu não a queira.

Tive impulso de segui-la,
Apesar do cansaço,
Apesar da dor,
Dos fracassos todos acumulados,
Da suposta desesperança,
Tive impulso de segui-la.

Tive impulso de dizer-lhe:
Irei contigo aonde fores,
Desertos,
Florestas,
Montanhas,
Abismos...
Pronto para morrer
Pela nossa causa
Se for preciso.

Mas tive medo por mim
E quis pedir que ficasse,
E um perdão secular
Ficou parado entre nós.

A tal ponto quis
Que seus olhos,
Por um instante,
Por um dúbio instante,
Perderam aquele brilho.

Mas ela ainda me olhou
No fundo da minha tristeza,
E seus olhos brilharam
Da luz pressentida
No escuro de um túnel sem fim.

E ela partiu,
Porque estava em mim.

Nenhum comentário:

Postar um comentário